Nas feiras populares: Saúde denuncia venda ilegal de antimaláricos em Nampula

Nas feiras populares: Saúde denuncia venda ilegal de antimaláricos em Nampula

A directora do Serviço Provincial de Saúde de Nampula, Munira Abudou, denunciou a venda de medicamentos destinados ao tratamento da malária nas feiras populares, alertando para os riscos associados à comercialização irregular de fármacos e à realização de diagnósticos sem garantias de qualidade.

A denúncia foi feita esta quinta-feira, em Nacala, na abertura da 8.ª Reunião Anual Provincial do Programa da Malária, onde a responsável apelou ao envolvimento das autoridades e dos profissionais de saúde no combate à venda ilícita e ao desvio de medicamentos das unidades sanitárias.

Abudou considerou necessário mudar a forma de actuação do sector, afirmando que, apesar das intervenções realizadas ao longo dos anos, a malária continua a representar uma das principais preocupações de saúde pública na província, com impacto nas consultas externas, nos internamentos e na mortalidade.

“Se queremos ter resultados diferentes, temos que mudar a maneira de trabalhar. Os números da malária não são só números, são pessoas, são vidas humanas. Não poderíamos ainda ter perdas por malária”, afirmou.

A fonte reconheceu, igualmente, a possibilidade de os dados oficiais não reflectirem a dimensão real da doença, devido a falhas no sistema de registo, e defendeu um debate sobre as fragilidades existentes, as estirpes do parasita em circulação e os tratamentos mais adequados.

O alerta surge numa altura em que a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (ANARME) intensificou as operações de fiscalização na província.

No mês passado, uma operação conjunta com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e a Polícia da República de Moçambique (PRM) apreendeu cerca de seis mil unidades de medicamentos no mercado informal de Nacala.

Entre os produtos apreendidos encontravam-se antibióticos, antimaláricos, analgésicos e preservativos, muitos fora do prazo de validade ou armazenados em condições inadequadas. Segundo as informações divulgadas, a maioria dos medicamentos era proveniente do Sistema Nacional de Saúde. Sete pessoas foram detidas.

Na semana seguinte, a ANARME encerrou o centro de saúde privado “Bem do Povo”, na cidade de Nampula, depois de apreender cerca de 200 unidades de medicamentos de uso exclusivo do Ministério da Saúde.

A 8.ª Reunião Anual Provincial do Programa da Malária decorre em Nacala, em formato de painéis, até sexta-feira.