No mercado grossista do Waresta, em Nampula, comprar cinco quilos e receber apenas três e meio é uma das situações denunciadas por consumidores que acusam alguns vendedores de utilizar balanças adulteradas na comercialização de produtos como batata-reno, cebola, alho e feijão manteiga.
As queixas apontam para uma prática que, segundo os compradores, se agravou nos últimos meses e afecta sobretudo quem não dispõe de meios para confirmar o peso dos produtos no momento da compra. A suspeita de fraude está a alimentar a desconfiança num mercado onde as quantidades adquiridas determinam os custos e os ganhos de muitos pequenos comerciantes.
Fátima Abacar, de 38 anos, revendedora de feijão no mercado central de Nampula, conta que comprou no Waresta um saco de feijão manteiga identificado como tendo 25 quilos. Ao pesar o produto em casa, encontrou apenas 21,5 quilos.
“Perdi quase 1.200 meticais num dia. Como vamos sustentar os filhos assim?”, questiona.
O caso ilustra as consequências financeiras que os compradores dizem enfrentar quando o peso indicado não corresponde à quantidade efectivamente recebida. Para quem compra produtos em grandes volumes para revenda, uma diferença de poucos quilos pode comprometer a margem de lucro.
Perante as queixas, o Conselho Municipal de Nampula, através do Pelouro das Actividades Económicas, iniciou esta quinta-feira uma campanha de verificação de balanças nos mercados da autarquia.
Segundo a vereadora Cláudia Marques, os equipamentos que apresentam irregularidades são calibrados no local. Quando a anomalia não pode ser corrigida, a balança é apreendida.
A iniciativa procura garantir maior transparência nas transacções comerciais e proteger os consumidores. No entanto, para alguns compradores, a fiscalização precisa de ser contínua para produzir resultados duradouros.
Elias Ziveleque, de 45 anos, comprador de batata-reno, afirma que já apresentou reclamações, mas continua a desconfiar da quantidade recebida.
“Tu pagas cinco quilos, chegas a casa e são três e meio. Já reclamei, mas dizem que a balança está certa. Pedimos que o Município venha fiscalizar todos os dias, não só uma vez”, exige.
A vereadora apela aos vendedores para utilizarem apenas instrumentos de pesagem devidamente aferidos e incentiva a população a denunciar irregularidades directamente ao Conselho Municipal.
A desconfiança, entretanto, não afecta apenas os compradores. Também os comerciantes que afirmam trabalhar com balanças correctas dizem estar a sofrer as consequências da suspeita generalizada.
Mariamo Saíde, de 29 anos, dona de uma banca no Waresta, considera que a fraude no peso prejudica a reputação de todos os vendedores, incluindo aqueles que cumprem as regras.
“Nós que trabalhamos com balanças certas também somos prejudicadas, porque o cliente já não confia em ninguém. Quem rouba no peso estraga o negócio de todos. A aferição tem de ser obrigatória para todos”, defende.
Entre as denúncias dos compradores e as preocupações dos vendedores, a questão central é a confiança nas transacções. A campanha municipal representa uma resposta às reclamações, mas os consumidores defendem que a verificação regular dos instrumentos de pesagem é essencial para evitar que o preço pago continue a não corresponder à quantidade recebida.
