O Presidente do Conselho de Administração do Fundo de Energia (FUNAE), Mety Gôndola, considera inconcebível que alguns postos de abastecimento de combustíveis nas zonas rurais da região Norte permaneçam entre três e quatro meses sem produtos para atender os utentes. Face a esta situação, anunciou que vai apurar as causas das falhas no abastecimento.
Falando à margem da reunião regional Norte, realizada na segunda-feira, na cidade de Nampula, com gestores de postos de abastecimento, representantes da Petromoc e outros intervenientes da cadeia de valor, Gôndola afirmou que pretende esclarecer as responsabilidades de cada parte e encontrar soluções para pôr fim à situação.
“Encontramos situações em que as bombas estão há três, quatro meses ou mais sem combustíveis. Quando procuramos saber as razões, disseram-nos que é por causa da demora no fornecimento dos produtos por parte da Petromoc. A Petromoc, por seu turno, refere que tem feito o fornecimento em tempo útil. O que é tempo útil? Quanto tempo leva para, uma vez pago, o produto chegar ao cliente? Temos que saber das partes quem tem razão”, afirmou.
O responsável lamentou ainda que os postos localizados em zonas distantes estejam a ser relegados para segundo plano no processo de distribuição de combustíveis durante o actual período de crise. Na sua perspectiva, estas unidades deveriam merecer prioridade, tendo em conta a falta de alternativas de abastecimento para as populações dessas áreas.
Sobre o atraso na conclusão das obras de instalação de uma central de energia solar no posto administrativo de Lúrio, distrito de Memba, Gôndola explicou que o projecto foi condicionado pela falta de recursos financeiros que afectou o FUNAE. A infra-estrutura terá sido executada em apenas 40 por cento.
O PCA reconheceu que, em todo o país, o FUNAE tem dez projectos com níveis de execução entre 60 e 70 por cento e outros 12 com execução situada entre 30 e 40 por cento.
“Já temos os recursos para avançar, mas, na renegociação, os empreiteiros pedem mais 25 por cento. Por conta disso, temos que avaliar se avançamos, interrompemos os contratos ou lançamos novos concursos”, explicou.
Em relação ao distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, onde postos de abastecimento do FUNAE foram vandalizados por terroristas, Gôndola afirmou que cabe ao Estado repor as infra-estruturas destruídas.
“Não podemos desistir do país. A acção terrorista jamais nos vai fazer desistir”, assegurou.
