Cidade de Nampula com falta de jardins

Cidade de Nampula com falta de jardins

A falta de jardins na cidade de Nampula, sobretudo nos bairros periféricos, preocupa munícipes, que apontam dificuldades de acesso a locais adequados para o lazer, a aprendizagem prática e o desenvolvimento das crianças.

Segundo o activista social e director executivo da Rede de Resistência e Acção pela Vida (RRAP), em Nampula, Jojo Ernesto, a escassez destes espaços resulta da falta de definição de prioridades de desenvolvimento por parte do Conselho Municipal.

“O Conselho Municipal não tem definido prioridades no que diz respeito à reserva de espaços para lazer, apesar de a lei que regula o funcionamento das autarquias falar disso”, afirmou Ernesto.

O activista sublinhou que os jardins são fundamentais para a sustentabilidade urbana, o equilíbrio ambiental e a saúde física e mental da população. Com o crescimento das cidades, defendeu, estes espaços deixam de ser meros elementos estéticos e passam a constituir infra-estruturas essenciais à qualidade de vida.

“Enquanto os mais velhos passam os seus momentos de romance, as crianças concentram-se nas suas brincadeiras, importantes para o desenvolvimento psicomotor”, explicou.

Ernesto lamentou ainda que alguns espaços anteriormente destinados a jardins estejam a ser ocupados por infra-estruturas comerciais.

Rufino José, outro munícipe, apontou como exemplo o antigo Jardim Careca, localizado na zona dos Limoeiros, que, segundo afirmou, foi transformado num empreendimento comercial.

“Por causa desta insensibilidade dos nossos dirigentes, suspeito que um dia fiquemos sem o Jardim Parque Popular”, declarou.

A cidade de Nampula, conhecida como capital do Norte, conta com jardins como os do Destacamento Feminino, dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), este último actualmente inoperacional, dos Continuadores da Revolução e o Jardim Parque Popular.

Por sua vez, Alzira Mendes lamentou a concentração dos jardins no centro da cidade, em detrimento dos bairros periféricos, onde, segundo afirmou, existem poucos ou nenhuns espaços deste tipo.

“É muito triste o que está a acontecer. Se calhar, é por isso que as nossas crianças são obrigadas a improvisar nas suas brincadeiras, correndo atrás de carros e motorizadas quando passam ou subindo aos cajueiros e às mangueiras, apesar dos perigos”, afirmou.