O Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA), em Nampula, defende a necessidade de uma maior motivação dos camponeses que praticam esta cultura, para que não desistam diante dos desafios que estão a enfrentar neste momento, face aos maus resultados da produção desta cultura na safra 2023/2024.
O Presidente do FONPA, José Domingos, que falava na semana passada em Imala, distrito de Muecate, à margem das celebrações do Dia Mundial do Algodão, que se assinala a cada dia 7 de Outubro, elencou que a semente distribuída aos produtores tem sido reciclada e degenerada e que, apesar do tratamento que foi dado, apresentou um baixo grau germinativo.
“Nos distritos de Muecate e Mecuburi, por exemplo, muitos produtores relataram que tiveram que realizar várias operações de novas sementeiras, devido ao baixo poder germinativo, mas mesmo assim não tiveram sucesso”, disse Domingos.
Essa situação, segundo ele, não só deixou os produtores frustrados, como também endividados, porque as empresas fomentadoras desta cultura, que têm provido os insumos e serviços de assistência técnica a crédito, vão cobrar a dívida, apesar dos problemas registados.
Consta que, os produtores têm recebido pouco apoio para lidar com as operações de amanho, razão pela qual não conseguem fazer uma produção em grande escala.
Em Muecate e Monapo, os produtores falaram de alegado atraso na entrega de agroquímicos, essenciais para o combate às pragas, enquanto que em Mecuburi os produtos químicos disponibilizados estavam com os prazos de validade vencidos.
O preço fixado este ano para a compra do algodão aos produtores, que é de 30 Meticais o quilograma, contra 33 Meticais praticados na safra passada, é igualmente apontado como factor desmotivador.
No distrito de Muecate, há denúncias de violação do regulamento de compra do algodão, devido ao facto de algumas brigadas estarem a realizar as operações comerciais no período da noite, depois das 17 horas, além de alegada viciação de balanças e inflação dos valores descontados aos produtores pelos insumos agrícolas que receberam a crédito, por parte das empresas fomentadoras.
Segundo a fonte, as práticas acima mencionadas devem ser combatidas para garantir que os produtores sejam justamente remunerados pelo seu trabalho.
“O regulamento está claro que, para além dos insumos a crédito, as empresas algodoeiras devem prover serviços de extensão aos produtores, o que não se verifica. E, se existe, é fraca; as empresas só aparecem para acompanhar a distribuição de produtos químicos e a comercialização, esquecendo-se de que a assistência técnica é fundamental para melhorar a produtividade”, disse Domingos.
Por sua vez, o director do Serviço Distrital de Actividades Económicas do distrito de Muecate, Aníbal Muquera, convidou os produtores a abraçarem a prática do algodão e pediu ao Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique que disponibilizasse outras variedades de semente.
Refira-se que o Dia Mundial do Algodão foi instituído em 2019 pelas Nações Unidas (NU), com a finalidade de destacar a importância global desta cultura.
