A cidade de Nampula acordou nas primeiras horas de ontem tímida, com fraco movimento de pessoas nas ruas, no primeiro dia da segunda etapa da greve de manifestação convocada pelo candidato à presidência, Venâncio Mondlane, apoiado pelo partido PODEMOS, em reivindicação dos resultados do sufrágio de 9 de outubro passado e do assassinato brutal do seu advogado Elvino Dias, que foi alvejado com 25 balas, além do mandatário desta formação política, Paulo Guambe.
Ao fim da manhã, segundo apuramos, iniciou-se a marcha pacífica de um grupo de centenas de jovens apoiantes de Venâncio Mondlane pelas principais ruas e avenidas da cidade de Nampula, com o acompanhamento dos agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), fortemente armados para repelir qualquer tentativa de desestabilização da ordem, segurança e tranquilidade públicas.
Empunhando cartazes, os jovens, alguns despidos de vestuário, durante a marcha, transmitiam mensagens de repúdio aos raptos, assassinatos e sequestros de pessoas ocorridos no país.
Além disso, o grupo de centenas de jovens que percorria as principais artérias da urbe repudiou o elevado custo de vida, afirmando que Venâncio Mondlane no poder é a única salvação do povo moçambicano.
Carregados de motorizadas e outros a pé, os jovens apresentavam canções em língua local, com a mensagem “Nós somos donos de Nampula”.
Entretanto, numa ronda feita pelo nosso jornal logo nas primeiras horas da manhã de ontem, foi possível constatar que os estabelecimentos de ensino estavam com os portões encerrados, sem a presença de alunos e pessoal docente, que, por receio dos manifestantes desta formação preferiram permanecer em casa.
Diferentemente da primeira fase da manifestação, realizada na segunda-feira passada, em que a actividade comercial esteve totalmente parada, ontem, nas ruas da urbe, o comércio informal estava literalmente fraco, com alguns vendedores expondo os seus produtos.
Nesses locais, devido à escassa exposição de produtos manufacturados e ao fraco movimento de citadinos, a circulação das poucas pessoas que se arriscaram a sair de casa fluiu sem dificuldades, ao contrário dos dias normais, em que a circulação nos passeios tem sido um autêntico martírio.
Grande parte das lojas e supermercados estavam com as portas encerradas, e alguns que estavam abertos começaram a fechar quando perceberam os distúrbios que aconteciam em certas zonas da cidade.
