O governo do distrito de Lalaua defende a adopção de soluções assentes nos recursos disponíveis nas comunidades como forma de mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos e ultrapassar constrangimentos que afectam o quotidiano das populações, numa abordagem que privilegia a acção local e a mobilização comunitária.
A mensagem tem sido reiterada pelo administrador distrital, Silvério Nauaito, no âmbito de encontros que vem mantendo, há vários dias, com comunidades e lideranças locais, com o objectivo de sensibilizar para a importância de preservar infra-estruturas públicas e privadas, bem como intervir rapidamente em situações de degradação causadas por fenómenos climáticos.
Na sua abordagem, o dirigente defende uma mudança de atitude por parte das comunidades, alertando que a falta de iniciativa compromete o progresso local.
“É crucial ter consciência de que o desenvolvimento se constrói internamente. Para promovê-lo, devemos nos organizar e, sob uma liderança eficaz, atacar os problemas”, afirmou.
Como exemplo, apontou o troço que liga Lalaua a Meti, onde existem pontos críticos conhecidos pelas comunidades e que, segundo explicou, podem ser minimizados com recurso a técnicas simples e materiais locais.
“Podemos colocar estacas, bambus e outro material localmente disponível para minimizar o problema, enquanto esperamos por soluções definitivas”, referiu.
Relativamente aos pequenos cursos de água, o administrador incentivou o aproveitamento do conhecimento tradicional para facilitar a circulação de pessoas e bens.
“Não se trata de construir pontes complexas sobre grandes rios, mas de intervir em pequenos riachos, como os encontrados no troço Meti/Lalaua. Basta uma chuva leve para impedir a passagem”, explicou, apontando ainda os rios Mucu e Malini, na via que dá acesso a Damodar-Ferro, como exemplos de obstáculos que podem ser mitigados com soluções locais.
Neste contexto, Silvério Nauaito defende que o lema “problemas locais, soluções locais” deve orientar a acção das comunidades, como forma de reduzir os impactos das dificuldades existentes.
Apesar disso, o acesso ao distrito de Lalaua continua condicionado pelo mau estado das vias, sendo que a viagem a partir da cidade de Nampula, numa distância de cerca de 80 quilómetros, pode durar até nove horas, evidenciando os desafios ainda por ultrapassar.
