O secretário provincial do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Bancários em Nampula, João Carlos Samuel, entende que a crescente terceirização no sector bancário está a fragilizar o sindicato e a reduzir, significativamente, o número de trabalhadores efectivos nas instituições financeiras.
Segundo a fonte, a terceirização tem sido adoptada de forma crescente pelas instituições bancárias, criando um novo cenário laboral que limita a integração sindical.
“Hoje, muitos trabalhadores que operam nos bancos não pertencem ao quadro efectivo das instituições, mas sim a empresas subcontratadas, o que os impede de integrar o sindicato”, explicou.
De acordo com Samuel, esta prática está a esvaziar o sindicato, reduzindo a sua base de associados e comprometendo a sua capacidade de trabalho, destacando que a terceirização agrava desigualdades dentro das instituições, sobretudo no que diz respeito à remuneração e aos benefícios sociais.
“É difícil aceitar que trabalhadores que desempenham as mesmas funções tenham salários diferentes. Isso afecta a moral e cria um ambiente de injustiça”, afirmou.
Contudo, assegurou que o sindicato continuará a pressionar por mudanças, defendendo a valorização dos trabalhadores e maior regulação da terceirização no sector bancário.
Falando durante a 1.ª sessão do conselho provincial do órgão, ocorrida no último fim-de-semana em Nampula, Samuel explicou que o encontro teve como objectivo fazer o balanço das actividades realizadas, definir estratégias e encontrar caminhos para massificar o sindicato, num contexto considerado adverso.
A reunião serviu igualmente para identificar os principais desafios que precisam de ser superados, com destaque para o impacto directo da terceirização na estrutura sindical, para além de analisar o relatório de actividades referentes ao exercício de 2025 e ao primeiro trimestre do presente ano.
Apontou a existência de outros constrangimentos, como a mobilidade de membros transferidos para diferentes distritos, para além do cumprimento das obrigações estatutárias, nomeadamente o pagamento de quotas, considerado essencial para o funcionamento da organização, mas também afectado pela redução do número de membros.
