Entre o mar e a vergonha: a rotina de quem vive sem latrina em Moma

Entre o mar e a vergonha: a rotina de quem vive sem latrina em Moma

O mar, que para muitos representa sustento e lazer, tornou-se também o destino diário de dezenas de famílias em Moma sempre que surge uma necessidade básica. Sem latrinas, homens e mulheres recorrem às praias para fazer as suas necessidades fisiológicas, numa realidade que compromete a privacidade, expõe as comunidades a riscos sanitários e evidencia as dificuldades de acesso ao saneamento.

Durante uma visita ao distrito, a reportagem do Wamphula Fax encontrou várias pessoas a utilizarem as margens da praia, muitas vezes em plena luz do dia ou ao entardecer. Entre elas estavam mulheres que, para preservar alguma privacidade, levam consigo uma capulana.

“Levamos uma capulana para nos cobrir, porque naquele local passam homens e mulheres”, conta Flora Amisse.

Segundo os moradores, a maioria das comunidades não dispõe de latrinas e, em muitos casos, o tipo de solo dificulta a construção de fossas convencionais.

“Não temos outra opção. Somos obrigados a vir à praia, porque não há latrinas. A terra é muito frágil para cavar uma fossa e não temos condições para construir outra”, afirmou Camilo Hassane.

A situação preocupa devido ao risco de contaminação ambiental e à propagação de doenças de origem hídrica, sobretudo numa zona costeira onde o contacto com o mar faz parte do quotidiano das comunidades.

Contactado pelo Wamphula Fax, o administrador do distrito de Moma, Juma Cateria, reconheceu o problema e afirmou que o Governo está a reforçar as acções de sensibilização das comunidades para a construção e utilização de latrinas, com o objectivo de reduzir o fecalismo a céu aberto.