Mercado paralelo de gasolina instala-se nas bombas em Nampula

Mercado paralelo de gasolina instala-se nas bombas em Nampula

A prolongada escassez de gasolina, que afecta a cidade de Nampula, há cerca de cinco meses, transformou as imediações dos postos de abastecimento em autênticos mercados paralelos de combustível, sem que as medidas anunciadas pelas autoridades tenham conseguido travar o fenómeno.

Muitos vendedores informais passaram a instalar-se junto às bombas para aproveitar a concentração de automobilistas à procura de gasolina, numa altura em que vários postos continuam sem conseguir responder à procura.

Há cerca de dois meses, no início de Maio, a Inspecção dos Recursos Minerais e Energia em Nampula anunciou que iria retirar os vendedores das ruas e pôr fim ao comércio ilegal de combustíveis. No entanto, a promessa ainda não se concretizou e a venda informal continua a crescer nas imediações dos postos de abastecimento.

Agora, o Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) manifesta preocupação com o fenómeno. A instituição alerta que a concentração de vendedores junto às bombas aumenta o risco de incêndios e prepara uma operação para retirar os comerciantes daqueles locais.

Segundo o porta-voz do SENSAP em Nampula, Abílio Chinai, a operação será realizada em coordenação com a Polícia da República de Moçambique (PRM) e poderá culminar com a apreensão do combustível comercializado ilegalmente.

Numa primeira fase, explicou, o SENSAP optou por sensibilizar os proprietários dos postos de abastecimento e os vendedores, apelando ao abandono daqueles locais.

“Caso, após este período de sensibilização, continuemos a encontrar vendedores em locais proibidos, seremos obrigados a apreender o combustível e adoptar outras medidas previstas na lei”, afirmou Abílio Chinai.

O porta-voz explicou que a comercialização de gasolina nas imediações dos postos representa um perigo para pessoas e bens.

“A presença de recipientes com combustível em locais de grande circulação de viaturas aumenta significativamente o risco de incêndio. Em muitos casos, há motorizadas que chegam a ser abastecidas sem que os motores sejam desligados, o que agrava ainda mais o perigo”, alertou.

A fonte acrescentou que muitos postos de abastecimento estão actualmente rodeados por zonas habitacionais, circunstância que poderá facilitar a propagação das chamas em caso de incêndio. Enquanto a escassez de gasolina persistir, o mercado paralelo deverá continuar a encontrar nas imediações dos postos de abastecimento um dos principais pontos de venda, apesar dos riscos e das medidas anunciadas pelas autoridades.