Gasolina chega a 130 meticais em Angoche

Gasolina chega a 130 meticais em Angoche

A escassez de gasolina em Angoche está a deixar consumidores e operadores de transporte numa situação cada vez mais difícil. Com o produto a rarear em alguns postos de abastecimento, multiplicam-se as queixas sobre os preços praticados e sobre a capacidade das autoridades de fiscalizar o mercado.

Segundo consumidores ouvidos pela nossa reportagem, o litro de gasolina, cujo preço oficial indicado é de 96 meticais, chega a ser comercializado por 130 meticais em alguns pontos. A diferença representa mais 34 meticais por litro e levanta dúvidas sobre os critérios utilizados na formação do preço em períodos de escassez.

Para quem vive do transporte de passageiros, o impacto é imediato. Os moto-taxistas dizem que são obrigados a gastar mais para garantir o combustível necessário ao trabalho diário, numa altura em que o rendimento já é limitado.

“A situação está grave, porque o valor que o Governo estabelece não é o que vemos nas bombas. De 96 para 130 meticais, isso não ajuda”, denunciou Júlio Momade.

Ancho Sebastião, professora do distrito de Liupo e residente na cidade de Angoche, diz que os preços praticados pelos postos de abastecimento são “sufocantes”, afirmando que, devido às alegadas práticas de especulação, viu-se obrigada a reduzir a quantidade de combustível que compra, de 20 para cinco litros.

Alguns operadores denunciam ainda que determinados postos praticam preços mais elevados durante a noite, alegação que não foi possível confirmar de forma independente.

“Todos os postos de abastecimento têm gasolina, só que eles reservam para vender à noite com valor acima dos preços oficiais. Esta situação já reduziu de forma significativa os nossos clientes. Você paga 130 meticais e os bombeiros fornecem apenas 96 meticais”, denunciou Selemane.

A situação também está a afectar os vendedores informais de combustível. Alguns afirmam procurar abastecer-se no Posto Administrativo de Namaponda, onde dizem encontrar preços mais acessíveis.

Onde termina a escassez e começa a especulação?

É esta uma das perguntas que permanece entre os consumidores.

Representantes da sociedade civil defendem uma fiscalização mais efectiva sobre a comercialização do combustível, sobretudo num momento em que a escassez pode criar condições para a subida arbitrária dos preços.

“A especulação de preço é ingratidão beligerante, e os mais fracos sofrem. Quando há escassez, isso obriga à especulação. Se o combustível estivesse em todas as bombas, não haveria estas práticas”, afirmou Lopes Vasco Cocotela, da Plataforma da Sociedade Civil em Angoche.

A preocupação não está apenas na falta de gasolina, mas também na ausência de respostas claras sobre quem está a fiscalizar, como estão a ser controlados os preços e que medidas estão a ser tomadas para proteger o consumidor.

A reportagem do Wamphula-Fax tentou obter uma reacção dos responsáveis pelos postos de abastecimento mencionados nas denúncias, mas não conseguiu ouvi-los até ao momento da publicação. Entretanto, o Serviço Distrital das Actividades Económicas, que vela pela fiscalização, promete pronunciar-se oportunamente.

Enquanto a gasolina continua escassa, cresce também a pressão sobre as autoridades para que esclareçam a situação e garantam que a falta do produto não se transforme numa oportunidade para penalizar ainda mais o cidadão.