Nesta segunda-feira, 21 de Outubro, dia da greve geral e nacional anunciada pelo candidato presidencial suportado pelo partido PODEMOS, Venâncio Mondlane, a cidade de Nacala-porto, segundo maior centro urbano e económico da província da Nampula, acordou tímida, com as ruas quase às moscas e um ambiente tranquilo do ponto de vista de agitação.
A nossa equipa de reportagem fez alguma ronda por algumas artérias da cidade alta, e constatou que há empresários que decidiram desafiar o anúncio da greve e, por conta disso, abriram as suas lojas, mas em vão, porque a cidade estava deserta, ou seja, sem cliente.
Outros cidadãos que exercem o comércio informal saíram das suas casas com as mercadorias dentro das sacolas, aguardando a melhor oportunidade para expor os seus produtos. Apesar do ambiente calmo e tranquilo, a falta de clientes constrangeu os homens de negócios.
No entanto, a movimentação dos membros das Forças de Defesa e Segurança denunciava a preocupação da necessidade de manter a ordem, segurança e a tranquilidade públicas.
O maior mercado grossista de Nacala, denominado por Mercado do Juma, estava às moscas, sem comerciante e sem cliente, isso tudo por se temer o pior. A prioridade era de garantir a integridade física.
Os únicos transportadores semi-colectivos de passageiros que ganharam a coragem de sair à rua agravaram o preço da tarifa. Por exemplo, a rota da cidade alta para baixa custa dez meticais, mas o valor aumentou para vinte meticais por viagem.
Adriana Safrão, de 43 anos de idade, não teve outra alternativa se não pagar o valor para chegar ao destino, porque para além dos “chapeiros”, os moto-taxistas é que estavam a trabalhar, cujo os preços são altos de natureza,
Entretanto, por volta das dez horas, a Polícia da República de Moçambique repreendeu os membros da Coligação Aliança Democrática e do partido PODEMOS, que pretendiam marchar pelas artérias da autarquia em reivindicação do assassinato bárbaro do advogado Elvino Dias e mandatário do partido Paulo Cuambe,
Apuramos que os cidadãos tentaram sair da sede distrital, mas o movimento foi, prontamente, neutralizado pelas Forças de Defesa e Segurança mobilizada para aquele fim. O impedimento despertou o espírito de revolta e a população ficou com o sentimento dividido entre a necessidade de responsabilizar as autoridades ou a liderança das suas formações políticas.
O antigo presidente do Conselho Autárquico de Nacala, Raúl Novinte, dirigiu-se à sede do distrito para sensibilizar os jovens que queriam sair à rua para manifestar o acto de repúdio pelos resultados eleitorais, supostamente, manipulados e pela morte do advogado Elvino Dias e de Paulo Guambe.
Mas de acordo com Novinte, toda a agitação foi provocada pela falta de comunicação em relação ao tipo de manifestação que se pretende levar a cabo e os respectivos objectivos. Explicou que Venâncio Mondlane, os partidos CAD e PODEMOS convocaram uma greve nacional e geral para que a população fique em casa e não saía para os seus locais de trabalho e negócios.
Na ocasião, alertou a juventude para a necessidade de evitar se fazer às ruas, porque não era esse propósito que foi convocada a greve nacional e geral. Neste momento, afirmou, o que se pretende é mostrar um sentimento silencioso.
Mas, indicou que, se os órgãos eleitorais continuarem a perpetuar ou divulgar resultados manipulados e que não expressam a vontade do povo, então haverá o anúncio de novas medidas mais severas e violentas, que poderão alterar a ordem e a segurança públicas.
