A esposa do governador da província de Nampula, Nazira Abdula, classificou como inaceitáveis as elevadas taxas de uniões prematuras registadas na região, alertando para as consequências sociais e de saúde que resultam desta prática, particularmente entre raparigas em idade precoce.
Segundo explicou, estas uniões estão frequentemente associadas a gravidezes precoces, expondo meninas que ainda não se encontram preparadas para a maternidade a riscos acrescidos, incluindo complicações de saúde que podem culminar em mortalidade materna.
Neste sentido, defendeu a necessidade de uma actuação coordenada para travar o fenómeno, envolvendo diferentes actores ao nível das comunidades.
Assim, o gabinete que dirige tem vindo, a implementar estratégias de sensibilização e prevenção, em articulação com a sociedade, mobilizando lideranças comunitárias e religiosas, com vista a promover mudanças de comportamento e a reduzir a incidência destas práticas.
Nazira Abdula falava esta terça-feira, na localidade de Cazuzu, distrito de Murrupula, à margem da entrega de diversos bens, entre os quais produtos alimentares, tecidos, beliches e colchões, à Associação das Mulheres para o Apoio às Raparigas Rurais (AMPARAR), uma organização que acolhe meninas, sobretudo órfãs e em situação de vulnerabilidade.
Na ocasião, a directora executiva da AMPARAR, Joana Iuehaca, manifestou agradecimento pelo apoio recebido, assegurando que os materiais serão devidamente preservados e utilizados em benefício das crianças acolhidas. Referiu que, antes da doação, muitas das menores dormiam no chão ou em esteiras, devido à degradação dos colchões anteriormente adquiridos.
Actualmente, a associação acompanha 64 meninas órfãs e vulneráveis, provenientes de comunidades como Namacuma, Napuco, Halaca e Nihessiue, enfrentando ainda diversos desafios no que respeita às condições de acolhimento.
