O Secretário de Estado na província de Nampula, Plácido Pereira, está convencido de que a desinformação à volta da origem da cólera, em algumas comunidades dos distritos da província, que tem resultado na morte de alguns profissionais de saúde, líderes comunitários, para além da destruição de unidades sanitárias e suas casas, respectivamente, deve-se às baixas taxas de alfabetização das pessoas envolvidas nestes actos.
O governante destacou que as pessoas alfabetizadas sabem muito bem fazer a análise do que é real e do que não é, diferenciar o que é correcto do que está errado, sempre que for disseminada uma determinada informação na comunidade.
Pereira fez estes pronunciamentos no fim da tarde de segunda-feira, depois de ter recebido em audiência o alto-comissário do Canadá no nosso país, Anderson Blank, que se encontra de visita à província de Nampula, para monitorizar alguns programas implementados nesta região do país, com destaque para os da área de saúde e educação.
O governante lamentou o facto de algumas pessoas, em Nacala-Porto, Memba e Mossuril, acreditarem que a cólera, que afecta aquelas regiões, tem sido transportada e espalhada pelo pessoal de saúde e seus colaboradores comunitários.
Por conta desta forma de pensar e ver as coisas, casas de alguns líderes comunitários do distrito de Mossuril foram vandalizadas e incendiadas.
“Até ameaçam de morte os nossos enfermeiros, situação que faz com que eles não estejam a trabalhar à vontade, devido ao medo que se instalou”, referiu Pereira.
Segundo o governante, alguns chegam a abandonar os seus postos de trabalho e locais de residência. “O que nos intriga é que, quando estas mesmas pessoas estão doentes, pedem às autoridades para que providenciem o regresso destes profissionais de saúde para tratá-las. Face a isso, o nosso apelo é que deixem estes profissionais trabalhar, eles não estão lá para fazer mal à população”, explicou Pereira, acrescentando que a população deve acarinhar os profissionais de saúde, porque não é vocação deles transportar e espalhar doenças, mas sim combatê-las.
