Professores de várias escolas primárias do distrito de Moma, na província de Nampula, denunciaram alegadas irregularidades na gestão do Apoio Directo às Escolas (ADE), acusando alguns directores de recorrerem a facturas supostamente falsas para justificar despesas que, segundo os denunciantes, nunca chegaram a ser realizadas.
As denúncias constam de uma carta enviada à nossa redacção por docentes que afirmam recusar-se a compactuar com as alegadas práticas.
O documento identifica as escolas primárias de Mulapani, Chalaua, Navurune, Namaquete, Namazene, Namarata, Nantupi e Namacaro como locais onde poderão estar a ocorrer as irregularidades.
Segundo a denúncia, alguns gestores escolares recorreram à aquisição de facturas fraudulentas para justificar a utilização dos fundos do ADE, sem que tenha havido a correspondente compra de material escolar. Os autores da carta alegam ainda que os fornecedores dessas facturas são conhecidos e actuam tanto na cidade de Nampula como no distrito de Moma.
Os professores defendem que uma investigação do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção em Nampula poderá esclarecer os factos e apurar eventuais responsabilidades.
Contactado pelo nosso jornal, o director provincial da Educação, William Tunzini, não se mostrou disponível para comentar o assunto.
Por sua vez, o porta-voz do Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, Aristides Maezana, confirmou ter tomado conhecimento da denúncia e assegurou que serão desencadeadas diligências para o apuramento dos factos.
As denúncias surgem numa altura em que o Governo Provincial de Nampula reafirma uma política de tolerância zero contra o desvio de fundos destinados ao funcionamento das escolas. Recentemente, o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção instaurou processos contra 143 funcionários públicos no distrito de Mecubúri, por alegado envolvimento no desvio de mais de 1,8 milhão de meticais do ADE.
