A decisão do Hospital Central de Nampula (HCN) de restringir a permanência de acompanhantes nas enfermarias está a gerar descontentamento entre familiares de pacientes internados, que consideram a medida prejudicial ao acompanhamento dos seus parentes.
Os familiares afirmam que a limitação dificulta a assistência a doentes com mobilidade reduzida ou em estado grave, sobretudo durante a noite, quando deixam de poder permanecer junto dos internados.
Anchita Asumane, que acompanha a mãe internada, diz que a nova regra a obriga a abandonar o hospital ao anoitecer, apesar de não ter condições para pagar alojamento.
Outra familiar, identificada apenas por Sónia, questiona quem prestará apoio a doentes incapazes de realizar sozinhos tarefas básicas, como a troca de roupa.
Já Momade Carimo considera que a restrição dificulta o acompanhamento de pacientes em estado crítico e afirma que muitos familiares acabam por pernoitar no recinto do hospital, em condições precárias, por não terem outro local onde ficar.
Por seu lado, a direcção do HCN justifica a medida com a necessidade de reduzir a superlotação das enfermarias, argumentando que o excesso de acompanhantes tem dificultado o trabalho das equipas médicas, comprometido a circulação nos corredores e aumentado a pressão sobre serviços como alimentação, higiene, lavandaria e instalações sanitárias.
Segundo a unidade sanitária, a elevada concentração de pessoas também aumenta o risco de furtos de bens pertencentes aos doentes e aos profissionais de saúde.
Para reforçar o cumprimento das novas regras, o hospital iniciou esta semana a formação de 109 agentes, entre activistas e líderes comunitários e religiosos, que terão a missão de sensibilizar os acompanhantes sobre as normas de permanência na unidade sanitária.
