Torneiras só jorram água aos domingos em Cossore

Torneiras só jorram água aos domingos em Cossore

Em Cossore, no bairro de Matala, suburbios da cidade de Nampula, abrir uma torneira durante a semana tornou-se um gesto de esperança. Há mais de um mês que a água canalizada só chega aos domingos, facto que obriga os residentes a armazenarem, em poucas horas, a quantidade necessária para garantir o consumo e as tarefas domésticas ao longo da semana. A situação afecta mais de 13 mil habitantes daquela comunidade.

Assim, o domingo deixou de ser apenas um dia de descanso para transformar-se no momento em que os moradores enchem bidões, baldes, tambores e todos os recipientes disponíveis, numa corrida contra o tempo para garantir água para cozinhar, lavar, tomar banho e beber durante os dias seguintes.

O líder comunitário de Cossore, Carlitos Albano, afirma que a população enfrenta uma situação cada vez mais preocupante e defende o reforço do abastecimento.

“A água chega apenas aos domingos. A população já se habituou a viver assim, mas esta situação está longe de ser normal. Precisamos que o abastecimento seja reforçado para, pelo menos, dois dias por semana”, apelou.

Segundo explicou, mesmo que o fornecimento fosse diário, a procura continuaria elevada devido ao crescimento da comunidade, razão pela qual considera urgente o aumento da capacidade de abastecimento.

Sem outra alternativa, muitas famílias recorreram à abertura de poços caseiros para suprir a escassez da água canalizada. Contudo, esta solução levanta preocupações quanto à qualidade da água consumida e aos riscos para a saúde pública.

Apesar da gravidade da situação, o líder comunitário reconhece que os moradores ainda não formalizaram uma reclamação junto da empresa responsável pelo abastecimento de água.

O problema, entretanto, não se limita a Cossore. Nos últimos meses, o Wamphula Fax tem recebido relatos semelhantes de moradores de vários bairros da cidade de Nampula, sobretudo das zonas de expansão, onde as restrições no fornecimento de água têm vindo a agravar-se.

Contactada pelo nosso jornal para reagir às preocupações da comunidade, a empresa responsável pelo abastecimento de água não respondeu até ao fecho desta edição.