Um total de 1.981 crianças afectadas directa ou indirectamente pelos ataques terroristas, em cinco comunidades do distrito de Memba, em Nampula, está a beneficiar de apoio psicossocial, actividades educativas e recreativas, promovidas no âmbito do Projecto “Restore”, implementado pela “Plan International”, organização não-governamental parceira do Governo, que visa ajudar menores e suas famílias a recuperarem dos efeitos da violência e do deslocamento da população.
As comunidades abrangidas, segundo apurámos, são Mualara, Timuco, Namaralo, Chipene e Tepu, zonas onde muitas famílias foram obrigadas a abandonar as suas casas devido aos ataques terroristas.
Entre os principais afectados estão crianças que perderam familiares, interromperam os estudos e ficaram marcadas pelas experiências vividas durante o conflito.
Segundo a supervisora distrital do projecto, Anatercia Bernardo, as actividades decorrem em áreas denominadas “Espaços Amigos da Criança”, onde os menores recebem acompanhamento psicossocial e participam em actividades educativas, num ambiente de convivência e lazer.
“O distrito de Memba foi assolado pelos ataques dos insurgentes e, por conta disso, muitas crianças perderam os seus pais e ficaram traumatizadas. O Projecto Restore surge para responder a esta situação de emergência e apoiar estas crianças a recuperarem das experiências que viveram”, disse.
Os petizes assistidos estão distribuídos por faixas etárias, concretamente, dos zero aos quatro anos, dos cinco aos 12 e dos 13 aos 17 anos.
Bernardo explicou que as actividades são adaptadas de acordo com a idade, o nível de desenvolvimento e as necessidades de cada grupo, sendo as raparigas as que actualmente representam o maior número de participantes.
A fonte reconhece que o processo de recuperação continua a enfrentar desafios, porquanto algumas crianças ainda apresentam medo, dificuldades de interacção e resistência em participar nas actividades, para além de casos de violência baseada no género e uniões prematuras, que ainda permanecem sem denúncia.
Apesar das dificuldades, a supervisora faz uma avaliação positiva da evolução das comunidades, destacando o regresso gradual da população às zonas anteriormente abandonadas.
Segundo explicou, quando o projecto iniciou, muitas famílias ainda estavam deslocadas, mas actualmente verifica-se um aumento do número de pessoas que regressam às suas comunidades.
Para o líder comunitário de Memba, Sonardino Amade, a presença do projecto está a contribuir para mudanças na vida da comunidade.
Segundo ele, as crianças, por exemplo, que anteriormente não frequentavam a escola ou permaneciam afastadas de actividades educativas e recreativas, já estão a participar nelas.
“Com a chegada do projecto, as crianças estão a aprender, brincar e muitas já voltaram à escola”, disse Amade.
Ruben, aluno da quinta classe, que teve de fugir durante os ataques terroristas, conta que voltou a estudar e, neste momento, participa nas actividades promovidas pelo Projecto Restore.
A iniciativa também aposta na identificação e gestão de casos relacionados com a protecção da criança e violência baseada no género, incluindo situações de uniões prematuras.
Os casos identificados são encaminhados aos serviços competentes, em coordenação com as estruturas governamentais e outros intervenientes do mecanismo multissectorial.
