Táxi-mota: actividade “hostil” para as mulheres em Nampula

Táxi-mota: actividade “hostil” para as mulheres em Nampula

A cidade de Nampula está a registar, nos últimos dias, a circulação de poucas operadoras de táxi mota, devido aos alegados assaltos protagonizados pelos malfeitores.

O Wamphula fax soube que as mulheres deixaram de fazer táxi-mota, porque não só eram vitimas de assaltos, mas, também, de violência sexual, protagonizados por alguns indivíduos de má-fé e que, para concretizarem os seus intentos, faziam se passar por clientes.

Algumas poucas mulheres que já foram operadoras de moto-táxi, em algumas praças da cidade de Nampula, como é o da Sipal, uma das maiores da urbe, disseram que decidiram abandonar a actividade, depois de terem sofrido assaltos e tentativas de violação sexual por supostos clientes.

 “Num dia foi por pouco que não fui violentada sexualmente na zona da Texmoque, por uma pessoa que solicitou o transporte para aquela área residencial. Valeu a pronta intervenção de alguns residentes quando pedi socorro. Por isso, achei que não podia continuar com esta actividade”, contou Maria Joaninho, que já foi operadora de táxi mota durante um mês.

A interlocutora deu a conhecer que outra colega dela decidiu abandonar a actividade, depois de ter sofrido assaltos protagonizados por pessoas que se faziam passar de clientes, sobretudo no período nocturno.

Quem também tentou ser moto taxista, desta feita na praça da zona do Retiro, no bairro de Napipine, é Lúcia Mushona. Ela diz que embora não tenha exercido a actividade durante muito tempo, mas deu para perceber que o serviço de moto táxi pode ser sim feito por mulheres, tal como os homens, porém, é arriscado para elas, num ambiente de assaltos e violência sexual.

Anastácia Bartolomeu é uma mulher que actualmente vende comida confeccionada na rua. Ela diz que já aprendeu a conduzir uma mota, com o objectivo de ser operadora de moto-táxi, mas, quando ouviu o que acontecia com as mulheres que tentaram exercer essa actividade na cidade de Nampula, desistiu, e prefere continuar com o seu negócio.

Entretanto, contactos feitos junto do presidente da Associação dos Voluntários para a Organização dos Taxistas de Nampula (AVOTANA), Albertino José, quer por via telefónica, quer no seu próprio escritório, visando à recolha de mais dados sobre o assunto, resultaram num fracasso.

Contudo, do que se sabe é que a actividade de moto táxi, além de garantir o auto-sustento das famílias, fecha a lacuna da falta de transporte público, sobretudo nos bairros periféricos da cidade de Nampula. Não é por acaso que o seu licenciamento foi introduzido no ano passado pelo conselho municipal da cidade de Nampula.

Segundos dados disponíveis, neste momento a cidade de Nampula conta com mais de 3 mil operadores de táxi mota, distribuídos em 150 praças fixas e reconhecidas pelas autoridades municipais pela associação.