Cobrança de taxa contrasta com estradas degradadas em Nacala

Cobrança de taxa contrasta com estradas degradadas em Nacala

O Conselho Municipal de Nacala-Porto, na província de Nampula, introduziu, recentemente, a cobrança de uma taxa de piso de solo autárquico aplicada a camiões de carga com três ou mais eixos, numa medida que visa, segundo a edilidade, regulamentar o uso das vias e reforçar a manutenção das infra-estruturas urbanas, mas que tem vindo a gerar contestação devido ao estado degradado das estradas.

Em entrevista ao Wamphula Fax, o presidente do município, Faruk Nuro, explicou que a taxa já existia e anteriormente era cobrada apenas a transportadores que acediam ao porto e a alguns pontos específicos, tendo agora sido alargada a todos os operadores que circulam na cidade, por se considerar injusto que apenas uma parte suportasse esse encargo. Acrescentou que o modelo adoptado segue exemplos de outros municípios, como Pemba, Cuamba e Lichinga.

A taxa, fixada em 1.500 meticais por camião, pretende aumentar a base de arrecadação municipal e assegurar maior equidade, sendo que, segundo o edil, a adesão inicial tem sido positiva, na medida em que muitos transportadores já estavam familiarizados com o pagamento anterior.

Contudo, transportadores ouvidos pela nossa reportagem manifestam-se insatisfeitos, alegando que a cobrança não corresponde à realidade das vias, marcadas por buracos e projectos inacabados. Chirindza Pedro aponta o caso da Rua do Jaguar e da Estrada número 12, cujas intervenções não tiveram continuidade, enquanto na Cidade Alta, segundo refere, obras iniciadas ficaram limitadas à colocação de lancis.

No mesmo raciocínio, Tiago José considera que a medida ignora as dificuldades reais de circulação, referindo que, em Nacala-Porto, os condutores são frequentemente obrigados a escolher por onde passar entre buracos.