Cerca de 58 por cento da população da província de Nampula continua analfabeta, uma realidade que condiciona a participação dos cidadãos na vida social, económica e política e constitui um dos principais entraves ao desenvolvimento da província.
Os dados foram apresentados durante a primeira reunião provincial do Movimento de Advocacia, Sensibilização e Mobilização de Recursos para a Alfabetização (MASMA), realizada na cidade de Nacala.
Na ocasião, a coordenadora provincial do MASMA e esposa do governador de Nampula, Nazira Abdula, afirmou que a província continua a enfrentar enormes desafios na alfabetização de jovens e adultos.
Segundo os dados do Inquérito ao Orçamento Familiar de 2022, a taxa de analfabetismo atinge cerca de 58 por cento da população, sendo mais elevada entre as mulheres, grupo em que o índice sobe para 68 por cento.
Perante este cenário, Nazira Abdula defendeu o reforço das acções de advocacia, sensibilização e mobilização de recursos, envolvendo parceiros de cooperação, sector privado, líderes comunitários, confissões religiosas e organizações da sociedade civil.
“A educação é um direito fundamental do cidadão moçambicano. Alfabetizar significa fortalecer a cidadania e promover uma participação activa na vida económica, social e política das comunidades”, afirmou.
A responsável acrescentou que os programas de alfabetização continuarão a privilegiar mulheres, raparigas, adultos e pessoas com necessidades educativas especiais, grupos que apresentam níveis de analfabetismo acima da meta nacional.
Por sua vez, o administrador do distrito de Nacala, Morchido Daúdo Momade, manifestou preocupação com a redução do número de turmas de alfabetização, defendendo o reforço da mobilização comunitária e das parcerias para aumentar a adesão aos programas.
Segundo explicou, o distrito planificou este ano o funcionamento de 105 turmas distribuídas por 54 centros de alfabetização, com capacidade para atender 3.295 alfabetizandos, dos quais 2.135 são mulheres. As autoridades provinciais reiteraram o compromisso de reduzir a taxa de analfabetismo para 40 por cento até 2030.
