O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda principal causa de internamento nos serviços de Medicina do Hospital Central de Nampula (HCN), depois da malária. Nos primeiros nove meses de 2026, a unidade sanitária registou 378 casos, que resultaram em 48 mortes, contra 291 casos e 39 óbitos no mesmo período do ano passado.
Os dados foram divulgados esta terça-feira pelo médico oncologista afecto ao HCN, Frederico Sebastião, no contexto das celebrações do Dia Mundial do AVC, assinalado a 29 de Outubro.
Segundo o médico, as doenças não transmissíveis, entre as quais o AVC, têm vindo a ganhar peso nos últimos anos, tornando a prevenção cada vez mais importante.
“Em 2023, o AVC era a quinta causa de internamento nos serviços de Medicina do HCN. Actualmente, está apenas atrás da malária, mas supera o HIV/SIDA e as infecções pulmonares. Portanto, foi a segunda causa de internamento no departamento de Medicina do nosso hospital durante os primeiros nove meses deste ano”, afirmou.
Em termos de mortalidade, Sebastião explicou que o AVC foi a terceira principal causa de mortes intra-hospitalares durante o período em análise.
O médico destacou a importância de conhecer e controlar os factores de risco, recomendando, particularmente às pessoas com hipertensão arterial, a monitorização regular da sua condição.
Aos doentes que apresentam simultaneamente diabetes e hipertensão arterial, aconselhou o cumprimento rigoroso da medicação prescrita, explicando que ambas são doenças crónicas que exigem controlo contínuo.
Entre os sinais de alerta do AVC, Sebastião destacou a alteração da expressão facial, com a boca desviada para um dos lados, a perda de força num dos membros superiores e as dificuldades na fala.
“Todo minuto conta. A pessoa que demonstrar estes sinais deve ser imediatamente encaminhada ao hospital. Não é para ligarem para os colegas, ligar para o tio, esperar autorização, nada disso. Quanto mais cedo se dirigirem ao hospital, maiores são as possibilidades de diagnóstico e início atempado do tratamento”, alertou.
