Os moradores do quarteirão 9, unidade comunal de Muthita, bairro de Mutauanha, arredores da cidade de Nampula, queixam-se de poluição do rio Muepelume, por parte da fábrica de Cervejas de Moçambique (CDM), aquém acusam de descarregar sobre aquele curso as águas decorrentes do processo de fabrico do seu produto.
A preocupação, que aparenta não ter fim a vista, alegadamente por ter sido reclamada por diversas vezes, configura, segundo Julião Moisés, um dos moradores que falou à nossa reportagem, um atentado à saúde pública.
“Já reclamamos sobre o mau cheiro, mosquitos e moscas que sobressaem das valas e condutas das águas residuais da fábrica, mas a empresa parece que nem está ai para nós”-disse disse Moisés.
De acordo com o nosso interlocutor, devido ao problema acima mencionado, as hortícolas feitas ao longo do Muepelume e outras plantas que crescem ao longo do rio, com destaque para bananeiras e cana-doce, estão a ser afectadas no seu processo normal de crescimento.
Juma Issa, outro morador, que também se considera afectado pela situação, acrescentou que quando chove o mau cheiro propaga-se ao longo do curso de Muepelume.
O secretario do quarteirão 9, unidade comunal de Muthitha, Felisberto Warieque, disse igualmente que a mesma água provoca malária, sobretudo nesta época chuvosa, porque é suja, para além do mau cheiro.
“Já falei com os donos da fábrica, sobre a necessidade de colocarem manilha, para atenuar o cheiro, mas infelizmente as nossas preocupações não são atendidas ”-explicou Warieque.
Entretanto, sem gravar entrevista, o chefe da área do ambiente, junto da empresa da CDM, Amade Nota, garantiu que a empresa tinha colocado manilha no local reclamado pelos moradores, com vista a solução do problema.
“Estou de férias, mas sei que esse assunto foi ultrapassado. Se há contaminação, não deve ser água que vem da fabrica, mas sim da chuva ”-frisou Amade.
Recorde-se que, em 2019, quando a população despoletou o problema de contaminação do rio Muepelume, a direcção da empresa Cervejas de Moçambique, havia garantido que iria colocar novos tubos, para evitar que as águas residuais corressem em condutas não fechadas, pelas casas das populações, antes de desaguarem no rio.
