Morreu Jornalista Vasco Fenita aos 90 anos de idade

Morreu Jornalista Vasco Fenita aos 90 anos de idade

Morreu na noite desta terça-feira (24), na cidade de Nampula, aos 90 anos de idade, o jornalista Vasco Fenita, figura incontornável do jornalismo moçambicano, que iniciou a sua carreira ainda no período de colonização, colaborando com vários jornais, dentre eles o A Tribuna, tendo terminado a sua longa caminhada profissional como editor do jornal Wamphula Fax.

Fenita morreu vítima de doença depois de ter estado alguns dias internado no Hospital Central de Nampula, não resistindo à enfermidade que o apoquentava nos últimos tempos.

Na sua trajectória como jornalista, Vasco Fenita foi delegado da Sociedade do Notícias durante várias décadas e representou igualmente a revista Tempo e o jornal Diário de Moçambique em Nampula, antes de se ligar ao nosso jornal.

Não obstante o momento conturbado que o país vive, o nosso jornal recebeu diversas mensagens de pesar e de solidariedade com a morte deste grande jornalista, destacando-se o Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), que, em comunicado, o caracteriza como um profissional dedicado, que teve um importante papel na formação de novas gerações de jornalistas em Moçambique.

“Apesar da sua avançada idade, nos últimos 15 anos manteve-se ligado ao jornal eletrónico Wamphula Fax, publicado em Nampula, primeiro como editor e depois como editor honorário e cronista – escrevendo sobre diversos temas”, diz o comunicado.

A trajectória de um embondeiro

Vasco da Gama Fenita Valobdás, ou simplesmente Vasco Fenita, nasceu em 1934, na província de Tete. Desde cedo, mostrou apetência para o desporto, com destaque para o futebol, de que foi um exímio praticante.

Com uma parte das suas raízes também na Zambézia, seria, no entanto, fora das quatro linhas que se tornaria conhecido como jornalista. Mas antes, partiria para Nampula, tendo rumado para a Ilha de Moçambique, onde constituiu família, para depois, já na capital do Norte, assumir novos desafios.

Depois de vários anos como colaborador de alguns dos matutinos de maior referência em Moçambique, Vasco Fenita assumiu, em 1974, as funções de Delegado Provincial do Jornal Notícias, em Nampula.

Foi nessa qualidade, de resto, que cobriu com entusiasmo o nascimento de Moçambique independente, ancorando os seus textos na esperança que a liberdade carregava consigo. Acoplando a essas responsabilidades as de também delegado do Diário de Moçambique, da Revista Tempo e outros, Vasco Fenita escreveu também para prestigiados jornais como o A Bola (de Portugal) e O Século (da África do Sul).

Foi editor principal do Wamphula Fax, onde ficou conhecido por passar o testemunho aos mais novos.

Durante mais de sete décadas, Vasco Fenita escreveu sobre Moçambique, nas suas mais variadas vertentes. E foi assim que se consolidaram a sua credibilidade e reputação como “o senhor do verbo”. As suas crónicas, que ele próprio designava de “didácticas”, constituíram, anos a fio, um bebedouro linguístico, do qual retirávamos sempre uma preciosa gota do dicionário da Língua Portuguesa. E isso só nos enriqueceu.

Vasco Fenita deixa seis filhos e vários netos.