A cidade de Nampula acolheu, na passada quarta-feira, um workshop dedicado à prevenção do feminicídio e da violência baseada no género (VBG). O evento, que teve a duração de um dia, reuniu autoridades locais, organizações da sociedade civil, profissionais de diversos sectores e membros da comunidade.
Na abertura do encontro, Nazira Abdula, esposa do governador da província de Nampula, apelou à população — com destaque para a camada feminina — a priorizar a denúncia às autoridades judiciais, como forma de combater o feminicídio e a violência baseada no género. Segundo afirmou, estas práticas contribuem para o retrocesso das mulheres no contexto nacional.
“A violência baseada no género é uma grave violação dos direitos humanos, afectando, em especial, mulheres e raparigas. Esta violência manifesta-se de diversas formas, como a violência doméstica, mutilação genital feminina, agressão física e sexual, uniões prematuras e, num grau mais extremo, o feminicídio. Gostaria de reiterar à camada feminina, a mais vulnerável a estas acções, que é fundamental aprimorar a denúncia destes casos, que tanto comprometem o desenvolvimento do país no que diz respeito à igualdade de género em diferentes áreas”, reiterou.
Adicionalmente, Nazira Abdula apontou que práticas culturais nocivas, como certos ritos de iniciação e tabus sociais, continuam a ser causas determinantes da normalização da violência contra mulheres em várias comunidades da província.
“Factores como a existência de determinados tabus e os ritos de iniciação que não respeitam a integridade da rapariga também contribuem para a persistência de casos de violência baseada no género nas nossas comunidades”, disse.
Ainda segundo Nazira, as desigualdades no acesso à educação, à saúde e a oportunidades económicas agravam a dependência e a baixa autoestima, comprometendo, assim, a autonomia das mulheres.
“As desigualdades no acesso às oportunidades, o baixo nível de escolaridade, a dependência económica e a baixa autoestima limitam significativamente as possibilidades de participação plena das mulheres. Estes são factores que devem ser debatidos neste fórum, com vista a contribuir para o bem-estar da camada feminina em diferentes contextos de convivência”, acrescentou.
No encerramento da sua intervenção, a esposa do governador apelou, igualmente, ao envolvimento activo dos homens na construção de uma sociedade mais segura e justa, sublinhando que a prevenção da violência requer uma abordagem integrada e multidimensional.
“O desenvolvimento de um país não se alcança apenas com metade da sua força activa. Por isso, é hora de os homens compreenderem que apoiar a sociedade, e as mulheres em particular, no usufruto dos seus direitos humanos é um sinal de inteligência, criatividade e, até, de coragem”, concluiu.
