Nampula candidata-se a acolher sede do Banco de Desenvolvimento

Nampula candidata-se a acolher sede do Banco de Desenvolvimento

O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, defendeu a instalação da sede do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) em Nampula, como forma de materializar a “verdadeira descentralização”.

“Já que se fala tanto de descentralização, por que não descentralizar verdadeiramente e colocar a sede desta instituição em Nampula? Seria um sinal inequívoco de que o desenvolvimento e a independência financeira chegarão a todos, e que ninguém ficará para trás”, afirmou Abdula, esta quinta-feira, durante uma sessão de auscultação pública que reuniu diferentes sensibilidades em torno da criação do BDM.

Segundo o governador, o banco terá a missão de financiar projectos de grande escala, abrangendo infraestruturas, agricultura, indústria, educação e outros sectores considerados estratégicos para o crescimento económico e social. Além disso, deverá apoiar o sector privado, garantindo financiamento e assistência técnica a empresas com potencial de gerar emprego, inovação e estabilidade financeira.

Para Abdula, ao apoiar projectos com impacto directo nas comunidades locais, o banco poderá reduzir desigualdades regionais e promover um desenvolvimento sustentável, equilibrando o progresso entre as diferentes províncias.

O governador destacou ainda que Moçambique possui um vasto potencial, assente numa população jovem, recursos naturais abundantes e numa localização geoestratégica privilegiada.

No entanto, sublinhou que esse potencial só se transformará em progresso efectivo com investimentos significativos em sectores estruturantes. “É aqui que o Banco de Desenvolvimento de Moçambique pode assumir um papel determinante”, frisou.

No caso de Nampula, referiu o seu elevado potencial agrícola, industrial, turístico e mineiro, aliado à condição de província mais populosa do país, mas que carece de instrumentos financeiros capazes de dinamizar a economia, atrair investimento e gerar prosperidade.

O encontro de auscultação, acrescentou Abdula, assume especial relevância por dar voz aos cidadãos e actores locais, tornando o processo participativo, transparente e alinhado com as reais necessidades da província.

Entre os pontos essenciais para o sucesso da instituição, elencou o acesso equitativo ao financiamento, com atenção às províncias mais desfavorecidas, a capacitação técnica e institucional, bem como a necessidade de uma governação transparente e responsável.

Destacou também a importância da articulação com os governos locais e provinciais, para assegurar que as intervenções estejam em sintonia com as estratégias de desenvolvimento territorial.

Ao encerrar a sua intervenção, Eduardo Abdula reiterou que Nampula está preparada para acolher e colaborar activamente com a iniciativa.

“O Banco de Desenvolvimento de Moçambique pode e deve ser um parceiro estratégico na transformação económica da nossa província e de todo o país”, concluiu.